Morre Renato Barros, o líder do grupo Renato e Seus Blue Caps. Reveja seus sucessos

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Morreu nesta terça-feira (28) o cantor e guitarrista Renato Barros, líder do Renato e Seus Blue Caps, aos 76 anos. Ele fez fama na época da Jovem Guarda e seguia na ativa, sempre com muitos shows, apresentados por todo o Brasil para públicos saudosos da nostalgia da modernidade daquela juventude que construiu para o país uma identidade pop nos anos 60.

A notícia foi compartilhada pela filha, Érika Barros. Renato foi operado na semana passada por conta de um problema cardíaco. Após a cirurgia, delicada, ficou em estado grave e teve complicações pulmonares.

Herói da guitarra, o cantor e compositor Renato Barros ajudou a fundar e a defender a nação que, ao longo dos anos 1960, inseriu o Brasil no universo do rock. Renato Barros integrou o exército da juventude como vocalista, compositor e guitarrista do conjunto Renato e seus Blue Caps.

Somente quem entende o processo de criação do universo pop brasileiro ao longo dos anos 1960 dimensiona corretamente a perda desse universo com a morte de Renato Cosme Vieira de Barros, a dois meses de completar 77 anos de vida.

Lucinha Zanetti, autora do livro “Renato Barros: Um Mito, Uma Lenda” expressou-se desta maneira nas redes sociais, certamente resumindo a tristeza e as homenagens de todos os fãs que estão chorando neste momento: “Renato Barros agora é uma estrela no céu! Nosso amado e muito querido cantor, compositor e guitarrista não suportou tanto sofrimento e descansou! Foi tocar sua guitarra no plano superior, onde está agora ao lado de seus pais e de sua amada esposa Lúcia Helena. Siga em paz Renato, seus fãs enlutados choram a sua partida!”


RENATO BARROS (DE PÉ, AO CENTRO, COM A GUITARRA) EM IMAGEM DE 1965, ANO DO APOGEU DO ARTISTA — FOTO: REPRODUÇÃO / CAPA DO ÁLBUM ‘VIVA A JUVENTUDE!’, DE RENATO E SEUS BLUE CAPS

A BANDA COMEÇOU A GANHAR visibilidade em 1962. Em 1963, Erasmo Carlos entrou no grupo como vocalista em formação que seria efêmera, mas que ajudou a erguer a ponte que ligou Renato Barros e seus Blue Caps a Roberto Carlos, ainda em 1963, ano em que o grupo participou de gravação do disco que rendeu o primeiro sucesso do futuro Rei da juventudeSplish splash (Bobby Darin e Murray Kaufman), versão em português de Erasmo para sucesso estrangeiro.

Contratado em 1964 pela CBS, gravadora que concentrou a maior parte do elenco de ídolos da Jovem Guarda, Renato Barros se tornou com seus Blue Caps o conjunto designado pela companhia para tocar em discos de estrelas como Wanderléa, Jerry Adriani (1947 – 2017) e, claro, Roberto Carlos. E aí, então, começou de fato a escalada de sucesso de Renato Barros como herói da guitarra (turbinada com os efeitos do pedal fuzz) e como ícone da juventude pop do Brasil dos anos 1960.

O primeiro álbum – sintomaticamente intitulado Viva a juventude! – saiu em 1965 e apresentou Negro gato (Getúlio Cortes), composição que seria popularizada por Roberto Carlos em gravação de 1966, em repertório que destacou sobretudo Menina linda, versão em português de Renato Barros para I should have known better (John Lennon e Paul McCartney, 1964), canção dos Beatles.

Menina linda tornou Renato Barros um dos reis do iê-iê-iê tupiniquim. Com o estouro de Menina linda, os posteriores álbuns de Renato e seus Blue Caps – Isto é Renato e seus Blue Caps (lançado ainda em 1965), Um embalo com Renato e seus Blue Caps (1966), Renato e seus Blue Caps (1967) e Renato e seus Blue Caps (1968), entre muitos outros discos – se sucederam com a mesma velocidade dos shows feitos pelo Brasil.

RENATO EM ‘OS BACANINHAS DA PIEDADE’, GRUPO COM O QUAL ENTROU NA CENA ARTÍSTICA, EM PROGRAMAS DE RÁDIO DOS ANOS 1950, ANTES DE VIRAR O RENATO COM OS SEUS BLUE CAPS, OU SEJA, COM SEUS BONÉS AZUIS — Foto: Reprodução / Facebook

COMO COMPOSITOR, RENATO Barros legou dois sucessos para o repertório de Roberto Carlos [Você não serve pra mim (1967) e Não há dinheiro que pague (1968)], e um para a dupla Leno & Lilian [Devolva-me (Renato Barros e Lilian Knapp, 1966)], canção revivida por Adriana Calcanhotto em 2000.

Como guitarrista, o artista deixa sua marca na criação de linguagem musical para o rock brasileiro e como destacado membro do exército da juventude carioca que ajudou Roberto Carlos a mandar tudo para o inferno para fazer uma revolução pop no Brasil dos anos 1960

Mesmo com o fim da Jovem Guarda, o conjunto de Renato Barros continuou gravando  discos de forma regular até o fim da década de 1970. Depois, os álbuns foram rareando, mas não os shows, sempre muito solicitados pela nostalgia de pessoas que desejavam reviver o tempo do rock romântico, ainda que decalcado do embalo exportado por Estados Unidos e Inglaterra..

Reviva um de seus grandes sucessos “Não te esquecerei”, uma versão da lendária “California and Dream”. E depois um pout pourri gravado para a TV recentemente:



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